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domingo, 11 de junho de 2017

A lápide já foi feita,
Antecipei-me,
"Foi um homem que amou"
Quem vê a lápide antes de morrer?
Aproveitei pus flores, 
Talvez seja a única homenagem que eu hei de receber
Canegallo Giuseppe Sexto

sábado, 10 de junho de 2017


Fui atingido em cheio pela memória forjada em azul,
A tatuagem do morcego no pescoço sugere sangue,
É difícil desfazermo-nos dos que gostamos,
É uma derradeira morte todos os dias, um pedaço de memória que se perde,
Olhos tatuados em números e cenas, impregnados de histórias e amores, 
O teu numero perdi em alguma agenda, a mente me enganou, chorou dois pedaços de ti e sangrou em novenas inventadas, tatuei de ti a boca louca da cintura para baixo,
E agora sobre o silêncio na varanda, uma pena de águia, um espantalho trabalhando horas extras,
Eu quis cortas as dores pela raiz, mas profundas demais para arrancar tudo,
Peco pelo que falo, o coração expostos todos sabem, as janelas escancaradas, mostram tudo dentro,
Pus as lembranças em asilo, antecipei-me á demência, mas elas pularam os muros, subverteram os meus desejos
Correram pelas ruas, bateram nas nádegas vivas, nas sempre vivas,
E riram até desabarem,
Faço de todos os dias o meu dia da independência
Ponho as mãos nos bolsos e acaricio os meus sonhos
Escondido de todos

Charles Burck
 Elena-Vizerskaya

Elena-Vizerskaya


Aperto o nó do cadarço
Aperto o laço da gravata estampada,
Todas as manhãs eu sou batido no mix
Leite, fermento, aveia, pensamentos,
Não há causa a combater a não a ser a de viver,
Sobreviver no ritmo acelerado do punk
Essa tarde eu fui moído, almoço, papeis, chefes e vidros,
Picado em cortadeiras, e espremido no metrô
A pele esticada no bumbo do corpo sonoro.
A minha vara não geme, mas planta sementes no colo da amada,
É verde e amarela, mas não combina com nada,
O sushi geme, o salmão treme à lâmina afiada,
Nesta noite eu te seguro as mãos, temo perde-la a cada manhã,
Tudo se perde, até os gestos mais seguros não passam de ilusões
O marceneiro chegou cedo, a madeira chora, a minha cabeça molhada aguentará algum tempo de calor,
O calcanhar desliza nas pedras portuguesas,
Um passo de fado, uma lembrança de que algum dia voltarei a falar uma língua estranha,
Mas as bocas nos poupam dos travos, o adocicado ferrão das abelhas
Os percalços são muitos, mas tenho muitos beijos guardados
Alguns com prazos de validade vencidos


Charles Burck

kent-williams

Dois pirilampos pulsando feito sinal,
Faróis acesos atraindo meus olhos
Cravados na noite perambulando,
Como duas iris de pantera,
Que rugem da barriga para baixo,
Propiciando à noite a boca da poesia
Se chego mais perto, a tradução se dá,
O que pisca no teu peito tem formas de chamas,
Na aderência que manejo são ardências,
Turgimento que projeta aparências lunares
Queimam-me os teus mamilos quando os pego noite adentro,
Luam em mim os teus peitos, acesos, como astros perfeitos


Charles Burck 




Elena-Vizerskaya

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Há um pássaro solitário em cada esquina, na quina do infinito e do inicio do mundo
O homem da esquina um dia olhou o céu e se descobriu encantado com a curva do tempo,
Constatou-se só.
Contou uma canção de pássaro solitário, como nós, os que não têm onde pousar,
Escreveu para mim palavras que eu bem compreendia, sobre arvores e estradas sem fim, 
Floreio os contos para não dá o que chorar, para minimizar as dores das penas caídas,
Dentro dos poemas não há perfeição, dentro do mesmo tempo há contratempos de onde não vemos tudo,
As aves em voos altos me chamam, precisamos unir nossos mundos,
O que era sonhado pode voar a vida interia longe de nós, mas os que cruzam as pontes chegam mais perto de ser,
Dentro dos olhos meus olhos há céus inteiros, céus feitos de espaços e propícios a moradas de homens e pássaros.
Charles Burck
Ele pôs a roupa de morrer e saiu para trabalhar,
Não olhou para trás não tinha tempo estava atrasado,
Entre as palavras, valorizou o silêncio que escorria de suas lágrimas,
Podia não saber os nomes, mas jamais esqueceria de cada rosto que passava,
Um daí se houvesse tempo se casaria com alguém, não apenas para estar juntados, comer, deitar e dormir ao lado
Mas para chorarem juntos o tamanho do amor que sentissem,
Ele fumava um cigarro atrás do outro, a morte também tragava, gostavam da brasa vermelha brilhando na noite escura,
Entre as palavras, escondem-se tantos fatos, morrer só é um ocorrência para que ficam, aos que partem é só um apagão,
Todos os ossos têm um acordo de se manterem juntos, o arcabouço de cálcio caminha de volta ao cais onde nasceu,
Talvez a salinidade do mar tenha trazido a ferrugem
O gosto do cansaço na boca,
Flechas são atiradas a todos os dias dos céus, protejam-se da mira dos anjos,
Pintem o rosto de preto e usam a armadura dos justos,
Viver para sempre não posso, mas sou poeta,  posso desconversar a morte e ludibriar os anjos


Charles Burck










Rodney Smith





Falácias


A metáfora das palavras voa, aprumam asas sob os meus cílios,
O meu coração fala, aterrissa sem medo sobre o teu peito,
O coração da palavra argumenta, pousa sobre o meu ombro me diz que veio dos desertos do oriente, 
 E lembrei-me que cada escola é o dia, os fatos, corriqueiros ou não,
Desculpei-me por não saber traduzir tudo, ele olhou em meus olhos e eu soube então os recados que ele me trazia,
A língua materna é única, outras palavras foram plantadas pelo mundo
Frutas de adoçar bocas, ou venenos de matar ideias, línguas tortas, línguas mortas, línguas de serpentes
Minha lingua nasceu de um coração plantado sob um céu de signo ascendente,
O poema é por si revolucionário, o idioma que eu criei com asas e me despedi dos chãos dos pérfidos, apartidário
Sodoma e Gomorra queimaram e muitos lamberam do sal dos sem vidas, mas não aprenderam nada entre si
Ainda mata pelas ideias e matam os que diferem, a causa está na cabeça que a amolda,
Quando deveria ser colhida como fruta madura e ter seu sumo provado,
O seu cerne bebido feito água fresca das fontes límpidas, para que matasse a sede, as estupidezes, as cegueiras e a fraqueza, dos pérfidos e dos hipócritas
Dos que definem que deles se afastam, e intitulam como se o pensar fosse único, como se fossem eles os donos das certezas
As suas falácias cegam e ensurdecem, gritam quando deveria falar, e esbofeteiam quando deveriam dialogar, sangram quando deveria dar as mãos
O precipício vem depois dos que os olhos veem, da certeza que a essência é o que a alma suspira
Charles Burck