Charles Burck
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segunda-feira, 28 de setembro de 2026
terça-feira, 25 de agosto de 2026
São os anjos estranhos leitores invisíveis
e os animais astutos já tinham percebido
Não nos sentimos em casa.
Em um mundo egoísta e mal frequentado
dos meus poemas desconhecidos, cuido eu,
Entre palavras e ervas daninhas ela me rega com o olhar de outro mundo
ainda não encontrei a inspiração exata.
Os peixes olham o céu sem entender
Não cremos em nada,
as ondas até o pescoço e nós de guarda-chuvas nas mãos
Os náufragos enchem os mares de soluços
Exigem sacrifícios iguais
O barco sonha vazio em terra firme.
Você me diz - Quem sabe se vai chover
Quem resiste ao teu sorriso
Há expectativas – Dizem os anjos
A vida se renova sempre, enquanto envelhecemos
Terra, água e pedras
Quem resistirá aos sonhos
é o que temos, digo eu
enquanto vigio o teu sono
Charles Burck
segunda-feira, 20 de junho de 2022
Faz tempo que eu me fui
ficam-me coisas por fazer
Senti no peito a pulsar um voo da ave
ao partir, estendi a mão aos céus,
Faz tempo
Ainda dorme em mim os sentidos das almas, dos corpos colados
Dos líquidos dos lírios que não quiseram ir embora
Colhi a laranja para sentir o perfume
Contei às estrelas sobre a tua luz, mas não consegui ficar
as águas tranquilas se empoçaram, a sede ficou maior, colhi as flores e pus num vaso,
Deus é largo,
O mundo é raso,
Dos teus olhos profundos me despedi
Não saciei os meus amores, nem expus os meus desejos
Ao partir, ficaram-me coisas por acabar,
Dormimos sem sonhos inteiros
Não sei como fazê-la sentir-me
Não sei quando despertarei novamente
quinta-feira, 14 de abril de 2022
Em qual canto dos teus olhos me guardas?
Qual uma semente semeada antes do tempo a não aprofundar raízes
A ave que guarda na memória
a distância do tempo
Qual tempo te sou hoje
Tenho todo céu azul para
te escrever
A pele suave do anjo,
plantei uma orquídea
A vida que toca uma mesma
música para dançarmos coisas diferentes
Na terra dos mortos um
sorriso nos traz alegrias
Era uma lembrança
Um jeito manso de gostar
Um tempo à espera do tempo
Charles Burck
quarta-feira, 13 de abril de 2022
No egoísmo das tantas bocas abertas retribuo com beijos,
não sei tantos nomes assim a quem amo
e não me vejo a não ser em ti
não significas nada, disseste-me um dia
e te fostes,
e no dia seguinte voltastes para me repetir a frase
e assim todos os dias outros, e todos os dias mais
Como uma grande miragem ainda estas a repetir-me
Talvez seja grande a vontade de dize-me, te amo
e vejo que a cada volta tua dizer-me sim o que não sabes dizer,
mas digo-te que ficas em mim, e digo por nós dois
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